terça-feira, 26 de junho de 2012

Síncope

Não quero mais carregar o fardo da obrigação de ser uma pessoa de "sucesso".

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Criamos várias personagens durante a vida, e essa, "o ser normal", é o que tem me causado maior irritação.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

É preciso reeducar a academia...

Toledano

É preciso reeducar a academia. Exterminar o velho e sua linhagem. Em outras palavras, recomeçar. Eu te ouço às vezes, e me pergunto porque não.  Eu te vejo marginal, hermafrodita, com inúmeras cores e raças, entregue aos vícios, de opiniões efêmeras e descontente com a última cirurgia plástica. Fraco, franzino, com fome. Triste por horas, cego, surdo, mudo, pobre, doente, e às vezes mal. É pecador, arrependido, não sabe ler nem escrever. Odeia a retidão, morre e renasce a cada dia, pega ônibus, trem e quando tem bebe cachaça. Sorri sem nenhum dente. Fuma crack , já foi preso por tentar ganhar a vida em uma praça. Tropeça, levanta, recomeça... É anti, herói, imperfeito...
É preciso reeducar a academia. Acabar com as regras impostas por ela, exterminar as leis, as etiquetas, a filosofia e a matemática.
É preciso... Só assim deixará de existir opiniões não perguntadas, guerras mal gritadas, vidas desperdiçadas e tantas certezas mal fundadas.
É preciso reeducar quem nos educa...
Me responda quando der.
Para que tanta perfeição? 
É preciso um novo deus, desses de segunda mão. 
Quem sabe assim seremos salvos de nós mesmos, que tentamos quase sempre de maneira insistente te alcançar, para tomar o seu lugar.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Nem sempre...

Transgredir simplesmente pelo ato de se tornar transgressor nunca me pareceu uma atitude sensata, de real valor. O mesmo vale para a revolução.







quinta-feira, 12 de abril de 2012

Estreia: Os Satyros adaptam Satyricon de Petrônio em três partes


Texto escrito há quase 2000 anos, vira projeto teatral
Em Cena Katia Calsavara e Samira Lochter.
Os Satyros adaptam Satyricon de Petrônio em três partes
A estreia do novo projeto da Cia. de Teatro Os Satyros, Satyros’ Satyricon, está marcada para o próximo dia 13 de abril. Dirigido por Rodolfo García Vázquez, o projeto – concebido a partir da obra do escritor romano Petrônio (27-66 d.C.) – é composto por três partes (Trincha, Satyricon e Suburra) que dialogam entre si, principalmente, pelo cenário universal que ambientaliza a temática do autor.
As apresentações acontecem de quinta a domingo, no Espaço dos Satyros Dois, localizado na Praça Roosevelt, 134. Cada parte do projeto é apresentada em dias e horários distintos e podem ser vistas independentemente.
Para Os Satyros, o projeto reúne duas realidades extremamente parecidas, embora distantes no tempo: Roma Antiga e as cidades contemporâneas.
Trincha, uma Instalação Performática
Trincha, a primeira parte do projeto, é uma instalação performática, que reproduz o submundo das grandes cidades.
Nesse universo, são reunidos diferentes tipos de pessoas que se conectam em um sistema complexo e funcional. Há aqueles que se prostituem para comer e aqueles que patrocinam a prostituição e acabam prostituídos de outras maneiras; há escravos de todos os tipos. O público é convidado a entrar neste universo de imagens e ações simultâneas, em um passeio estético pelo caos do novo milênio.
Satyricon, o espetáculo
A segunda parte, Satyricon, consiste na peça teatral inspirada nos fragmentos da obra homônima de Petrônio, escrita, provavelmente, no ano 60 d.C. e nos relatos de garotos de programa e do submundo do centro de São Paulo.
Os escritos de Petrônio foram adaptados pelo dramaturgo e cineasta Evaldo Mocarzel e relatam a história de um triângulo amoroso de ex-gladiadores – Encólpio, Gitão e Ascilto – que praticam roubos e se prostituem para viver.
O triângulo frequenta desde os ambientes do submundo até as grandes festas da elite romana. Para Mocarzel, “a atualidade do texto é algo que realmente impressiona na descrição desse submundo da prostituição”.
Segundo Vázquez, diretor do espetáculo, “muitas coisas permanecem exatamente iguais, embora tenham se passado muitos anos desde que a obra foi escrita. Em pleno século XXI, o nosso mundo é globalizado e tecnológico, e, mesmo assim, tão antigo quanto as ruínas do Coliseu”.
Vázquez destaca ainda o grande poder que o passado tem de influenciar a vida no presente. Segundo a visão do diretor “somos tudo aquilo que nos antecedeu; somos, inclusive, Roma”.
Suburra, uma rave teatral
A terceira e última parte, Suburra, é uma rave teatral. O público é convidado a participar de uma grande festa e o espetáculo acontece enquanto todos se divertem. É o momento em que o público, escravos do século XXI, se reúne para dançar e contemplar as performances dos atores. A encenação procura interatividade com o espectador.
Vázquez avisa: “fica determinantemente proibido o assunto trabalho porque este espaço é para a descontração.”
Os Satyros
Fundada em 1989 por Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez, a Cia. de Teatro Os Satyros sempre procurou trabalhar a ideia de um teatro essencialmente crítico. Além das montagens teatrais, o grupo desenvolve diversos projetos, como o festival Satyrianas – uma Saudação à Primavera.
Ao longo de sua existência, Os Satyros já encenaram mais de 50 espetáculos e receberam os mais importantes prêmios do teatro brasileiro.
Satyricon por Petrônio
Escrita por Petrônio, Satyricon é considerada uma das mais importantes novelas da literatura clássica romana. A obra é construída tanto em prosa como em versos e apresenta fortes características da sátira, ao retratar de forma jocosa os valores e tipos sociais da própria elite romana.
Para Os Satyros, a obra permite uma sobreposição quase perfeita da sociedade romana – em relação ao cenário de prostituição masculina e ao universo da malandragem – com a realidade encontrada no trabalho de pesquisa do grupo nas redondezas da Praça Roosevelt .
Serviço:
Projeto Satyros’ Satyricon
Trincha
Sinopse: Uma instalação performática que reproduz a vida no submundo das grandes cidades. Um encontro de indivíduos conectados por redes e tecnologias em um sistema funcional e conectado
Direção: Rodolfo García Vázquez
Dramaturgia: Evaldo Mocarzel
Cenário: investigação coletiva
Figurinos: Camasi Guimarães
Iluminação: Rodolfo García Vazquez e Flávio Duarte
Trilha Sonora: Thiago Capella Zanotta
Elenco: Breno da Matta, Davi Tostes, Marcelo Jacob, Fabrício Castro, Dyl Pires, Katia Calsavara, Alexandre Magno de Castro, Mariana França, Deborah Graça, Rafael Mendes, Renata Vieira, Lino Reis, Samira Lochter, Antonio Revuelta, Elias Felix, Brenda Oliver, Julia Ornelas, Marcio Pellegrini, Camasi Guimarães e Thadeo Ibarra.
Quando: Sábados e domingos, 20h
Quanto: R$ 10,00 e R$ 5,00 (Estudantes, Classe Artística e Terceira Idade, Oficineiros dos Satyros e moradores da Praça Roosevelt)
Lotação: 120 lugares
Duração: 40 minutos
Recomendação: maiores de 18 anos
Temporada: Até 26 de maio
Satyricon
Sinopse: três ex-gladiadores formam um triângulo amoroso e fazem malabarismos para conseguir sobreviver. Os personagens frequentam do submundo às festas da elite romana se prostituindo e cometendo furtos, em busca da sobrevivência diária.
Direção: Rodolfo García Vázquez
Dramaturgia: Evaldo Mocarzel
Cenário: investigação coletiva
Figurinos: Camasi Guimarães
Iluminação: Rodolfo García Vazquez e Flávio Duarte
Trilha Sonora: Cesar Genaro
Elenco: Breno da Matta, Davi Tostes, Marcelo Jacob, Fabrício Castro, Dyl Pires, Katia Calsavara, Alexandre Magno de Castro, Mariana França, Deborah Graça, Rafael Mendes, Renata Vieira, Lino Reis, Samira Lochter, Antonio Revuelta, Elias Felix, Brenda Oliver, Julia Ornelas, Marcio Pellegrini, Camasi Guimarães e Thadeo Ibarra
Quando: Quinta a domingo, 21h
Quanto: R$ 20,00 / R$ 10,00 (Estudantes, Classe Artística e Terceira Idade); R$ 5,00 (moradores da Praça Roosevelt)
Lotação: 80 lugares
Duração: 90 minutos
Recomendação: maiores de 18 anos
Temporada: Até 26 de maio
Suburra
Sinopse: A festa dos escravos do Século XXI. Uma rave teatral em que o público é convidado a participar das performances dos atores. Assuntos relativos ao trabalho são proibidos.
Direção: Rodolfo García Vázquez
Dramaturgia: Evaldo Mocarzel
Cenário: investigação coletiva
Figurinos: Camasi Guimarães
Iluminação: Rodolfo García Vazquez e Flávio Duarte
Trilha Sonora: Set List DJ Laurence Trille / VoodooHop
Elenco: Breno da Matta, Davi Tostes, Marcelo Jacob, Fabrício Castro, Dyl Pires, Katia Calsavara, Alexandre Magno de Castro, Mariana França, Deborah Graça, Rafael Mendes, Renata Vieira, Lino Reis, Samira Lochter, Antonio Revuelta, Elias Felix, Brenda Oliver, Julia Ornelas, Marcio Pellegrini, Camasi Guimarães e Thadeo Ibarra.
Quando: sextas e sábados, 23 h.
Quanto: R$ 20,00 / R$ 10,00 (Estudantes, Classe Artística e Terceira Idade); R$ 5,00 (moradores da Praça Roosevelt)
Lotação: 80 lugares
Duração: 90 minutos
Recomendação: maiores de 18 anos
Temporada: Até 26 de maio
(Fonte: AgitoSP)

Será mesmo que questionar ainda é mais aprazível que o experimentar?


Vinte e quatro horas de liberação lenta, do qual o efeito será sempre novo, efêmero, novo de novo… Repetir diariamente uma história que talvez jamais tenha existido pode parecer loucura, ou apenas uma inclinação a mania de inventar histórias. Inventar histórias. Inventar histórias. Liberação lenta.... 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Homem ao mar!



Então eu me pergunto novamente se é aqui, nesse parágrafo que volto a olhar para o chão. Terra a vista! Grito com o que me resta da voz, já diferente de quando comecei a gritar. Mas ao mesmo tempo me sinto ancorado em meio ao mar rodeado de surpresas e instabilidade. E tenho de admitir que isso me excita. O quanto de voz é necessário para uma vida, ontem a minha era de um menino rouco, hoje apena rouco, e mais rouco me vejo perseguido por um homem que se reflete em todos os espelhos. Quanta dor é necessária para que exista o amor? E entre amores diurnos e efêmeros, me encho de placebo noturno de luzes incandescentes, para que as imagens de agora perdurem, e façam algum sentido, mesmo com os olhos furados, dia após dia, um sorriso de canto, meio sem jeito, meio sem jeito e meio. E faço questão de levar comigo os olhares perdidos dos novos perseguidos futuros. Ah, se eu pudesse agradecer um por um por cada lágrima, ruga... Mas meus futuros filhos um dia o farão. Enquanto isso, eu apenas me atiro, voltando o meu mastro para o lugar mais fundo e incerto. E novamente me excito... Sempre de olhos fechados. E gritando sempre, e sempre, cada vez mais rouco, rouco... Homem ao mar! E aqui sempre me resgatam. E aqui eu agradeço com mais um sorriso e meio. Que os dias felizes perdurem!