domingo, 19 de dezembro de 2010

Multum...

Hieronymus Bosch


Como definir esse aferro a essas idéias fixas que transbordaram em meus dias passados?
Confessar talvez o desejo incabível de uma vida tranquila e feliz? Não querer ser importante para muitos, como muitos pensam, mas apenas para um ser? Ser definido apenas como um ser errante que procura um lugar dentro de si, e não como um ser social - psico - maníaco cheio de pequenos transtornos?
Ser indefinido talvez, como num sonho cheio de personagens fantásticas que buscam de maneira persistente apenas um cortejo para acreditar. Essa minha vontade em deixar-me viver com um sorriso no rosto, tem me feito questionar se sou de fato digno de coisas boas, se sou digno de conhecer, mesmo que de longe, essa figurativa imagem, essa insigne figura apetecível que mesmo longe tem me feito tão bem.
Afinal, que venha a felicidade. Quero que me tome nos braços e me faça embriagado em gargalhadas. Quero que todas as lembranças me façam um ser diferente, me façam um ser imperfeito, mas um ser, que de fato é. Quero deixar de lado todas as figuras que me ensinaram a sentir ódio, que me incentivaram a descrença, que disseram como e o que pensar.
Quero muitas coisas, mas dentre elas, a que mais quero é a permanência do querer.
E definir a minha insistência, depois de tantos questionamentos, me parece a mais sóbria loucura.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Frase do dia.

Não há frase do dia hoje. E agora?

sábado, 16 de outubro de 2010

sábado, 2 de outubro de 2010

Interrupto.


Sua vontade era tanto de deixar em cada curva do caminho uma pedra, que seus olhos entravam em combustão a cada palavra vazia, a cada gesto sem gosto, a cada fim de história sem começo, apenas com meio, apenas... Enquanto todos giravam de um lado para o outro gritando angustiantes canções de timbre rouco, e seus pequenos soluços a traziam para um mundo um pouco pior daquele que existia de fato, seus dedos magros e trêmulos adentravam pela garganta santa de um mísero corpo, e suas histórias, lembranças, aos poucos iam deixando sua alma, deixando seus olhos. Até o dia que o meu deixou de pesar e passou a flutuar por uma história de pequenas desgraças inventadas por ninguém mais que nós dois. Assim deixei mais uma pedra, entre tantas palavras de desconfortos, entre tantos pesares, entre tantas histórias garganta adentro. Deixei-me sentir a suave brisa de seu hálito, e talvez levá-la para a minha eternidade de pequenos prazeres humanos. A vida continua sendo o que há de mais importante, mesmo que desejando a morte.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

sábado, 11 de setembro de 2010

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

domingo, 5 de setembro de 2010

À merda todo essa farsa de querer bem...

Peter Witkin


Entre uma foto colorida e um sorriso preto e branco, sempre encontrei uma que me deixasse um pouco mais pensativo do que habitualmente mostro. Deixo de ser exato para ser apenas humano quando me dou conta da quantidade de olhares que esperam algo de você, um sorriso, um presente, um preenchimento qualquer. Sempre esperam algo de você, como se fosse obrigação sua se esquecer. Quem foi que disse um dia que nossos olhos devem sempre se voltar primeiramente ao outro? Quem foi que disse um dia que os nossos dias devem ser do outro? Sim, provavelmente quem disse foi um outro. E essa culpa de não ter tempo de servir a todos, tem me deixado tão perdido de mim mesmo, que não tenho sido um exemplo de prestatividade, muito menos de sobriedade, mas minha vontade me deixa cada vez mais desesperado, no que se trata da fermentação angustiante de um vômito parado na garganta. Já não espero de ninguém a compreensão pelos meus atos falhos. Já que estes se tornaram constantes em minha essência. Então não vejo motivos para não me assumir homem, falho, desorganizado, pois nunca tive a pretensão de ser um deus, mesmo porque os deuses sempre me deram um certo embrulho no estômago, com suas palavras de auto-ascensão, justificativas e sobriedades abusivas de como se portar em meio a esse esgoto de afetividades desbotadas, de excentricidades calculadas. Por isso venho aqui, mais uma vez, para me assumir pequeno, gasto e calculadamente excêntrico. Para talvez um dia, quem sabe, eu poder me encaixar nessa lata enferrujada de sardinhas putrefactas, que enxergam suas existências de maneira por demais relevante. Então não espere nada de mim, nem um sorriso se quer, já que o meu tempo está completamente voltado para não ter tempo. Só quero poder envelhecer em paz, vendo as rugas tomarem conta dos meus sorrisos, dos meus soluços, dos meus bocejos... E isso não é pedir muito, eu acho. Só não venha inserir em meu inferno, os seus demônios. E não esqueça que nunca devi nada a ninguém, alem é claro, à empresa de telefonia. E isso já é o bastante...

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Nó de cachorro.

Sextas e Sábados as 21:30hs. Domingos as 20:00hs.
Teatro Bibi Ferreira

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Mark Holthusen

O ator jamais deveria morrer, o palhaço jamais deveria chorar. Triste é quando somos obrigados a tirar a maquiagem para sair de cena. Triste é quando o espetáculo acaba e nos damos conta de que não passou de sonho, sorrir em meio a uma grande angústia, chorar em meio a uma grande festa. O ator representa apenas quando alguém quer que ele o faça, nunca de maneira gratuita, nunca para o nada ou ninguém. Nunca... Dia desses me dei conta que o próximo milésimo de segundo de nossas vidas decide o que serão os próximos segundos, as próximas horas, dias, meses, anos ou séculos. Tudo existe em apenas um milésimo de segundo. Podemos continuar sorrindo, ou com gripe, tristes, felizes ou apenas esperando pelo próximo...
Essa fragilidade que a vida tem me amedronta, me deixa de pernas bambas, cambaleando meio sem jeito, mas cambaleando de maneira resistente pela incerteza de uma vida, de uma história ainda sem fim. Quando as cortinas se fecham e o vazio eco da respiração que segundos atrás não te pertencia, volta a ser propriedade una, é que eu me pergunto quanto tempo mais teremos, para dizer o quanto amamos e o quanto aquela pessoa é boa no que faz, dar a vida um pouco mais de sentido talvez. Enfim, só estou desabafando. Se eu não posso viver meus sonhos, o que será de mim quando eu realmente estiver dormindo?

terça-feira, 9 de março de 2010

Bruxelas?




Não suporto esse coração em dor, e isso tem acontecido com freqüência ultimamente.
Deixo meus passos me guiarem por um caminho cotidiano e me afasto cada vez mais das exceções. Vejo-me caminhando em meio aos grandes arranhas céus, com minha crueldade calada, com meus suspiros de ânsia. Com meus olhos vermelhos de tanto pensar. Para quem meus dias devem ser azuis, para quê? Deixo de lado minhas angústias para comprar um livro qualquer, desses de bolso. Mas alguns passos adiante olho para trás e vejo os pedaços de mim que ficaram esfolados nos arranhões dos dias que já não se mantêm tão azuis, deixo então a frieza que antes era perpétua tomar conta do ar que me pressiona por todos os lados, por todos os fatos. O mesmo amor que sinto faz me odiar por vezes. Percebo então a sofreguidão de uns poucos, amores, que se mantém intactos. Paro então por uns instantes, e percebo o quanto tem se tornado difícil chorar de pena de mim mesmo. Não tenho tido muito tempo pra isso. Agora preciso dormir para esquecer um pouco esse coração que insiste na dor. Ou será o estômago?Onde foi parar Bruxelas?

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Esse monstro adormecido em mim.

Oleg Dou

Mais uma vez estou aqui. Como era de costume, o aperto pneumático volta com força total.


Paro por alguns momentos e respiro a dor de meus pretos pulmões, estampada nas olheiras profundas da dúvida de um ser. Um ser distante, calado, solitário... Não cabe em mim o que sinto, como não sinto, como uma pedra de gelo, meu coração acelera em desarmonia quando tenta incansavelmente minimizar as marcas de uma noite que insiste em existir. Tento então de maneira frenética respirar sem sua ajuda, tento calar esse monstro que insiste em dominar minha alma, tento assistir a vida como um filme distante. Mas quando percebo que desta vez o protagonista sou eu mesmo, dentro de um filme que sempre quis permanecer vendo de uma distância segura, me desespero. Descubro-me então como um ser banal, que jamais pensei que fosse. Engraçado não? Mas minhas palavras quando ditas, soam como um canto maldito, que causam dor. Minha língua continua queimando, e meus lábios ainda continuam sustentados por uma saliva ácida que queima a única pessoa que jamais quis algum mal.


Quando um castelo de areia é derrubado por pés distraídos, e uma criança chora pela queda de um pequeno mundo. Meus dias voltam a fazer sentido. Dando voltas em vários sentidos, procurando o que fazer. Como a criança. Como a criança, preciso crescer. E reconstruir o castelo de areia destruído pela distração dos pés da pessoa que mais amo. Estou tentando, estou tentando, estou tentando, estou tentando... Eu, eu preciso ao menos que minha cabeça esteja submersa em meio a esse mar instável que eu mergulhei. Redescobrir-me a cada dia, me reconstruir a cada queda. Assim me calo mais uma vez, e espero que a meu retorno aqui, nesse purgatório, esteja muito distante. Como também espero que seu sorriso volte a ser meu.


sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Ladainha dos medos.

As vezes tenho tanto medo da fragilidade da vida, dos planos ilusórios em busca de um nada. Dos nadas concretos cerceados por sorrisos demasiadamente amarelados, factuais, extremos, sinceros. Dos jovens amantes – psicóticos – psicodélicos. Do intelecto atômico infectado de deuses moribundos com sermões memorizados nos privilégios do ócio. Tenho medo da dor, minha e dos outros, do observar passo a passo o vazamento jugular dos meus dias enfermos, dos meus dias infernos, da minha vida feliz. Do escuro eterno dos suicidados vivos freqüentadores de cafés. Das ruas impuras com bondade. Das rezas infames. Dos extremistas defensores de uma idéia. Dos invisíveis sociais. Dos prostitutos ornamentados. Da sabedoria inútil, vil. Dos anônimos virtuais. Das idéias falidas. Dos sonhos destruídos. Do erro seqüencial. Das decepções. Do tarde demais. Do caminho sem volta. Das canções decoradas. Dos defensores da lei. Dos freqüentadores de templos, igrejas. Dos adoradores fanáticos. Dos sorrisos perfeitos. Da candura da alma. Da perfeição...
E mesmo assim insistem em dizer que vôo alto demais, que falo alto demais ou que rio alto demais. Só não entendo como alguém tão pequeno e medroso como eu, pode incomodar tanto, ocupar tanto espaço.